O Regresso do Especialista em IA: Uma Oportunidade para Acelerar a Inovação Tecnológica em Portugal
08 de jan. de 2026

O Regresso do Especialista em IA: Uma Oportunidade para Acelerar a Inovação Tecnológica em Portugal

Como a experiência governamental combinada com o conhecimento de mercado pode impulsionar o desenvolvimento de Gigafactories de IA em Portugal e na Europa

A decisão de Jan Kavalírek, antigo coordenador governamental para a inteligência artificial da República Checa e ex-vice-ministro da Indústria e Comércio, de regressar ao setor de lobbying representa muito mais do que uma simples mudança de carreira. Trata-se de um sinal promissor para aqueles que acreditam que a inovação tecnológica e o investimento em inteligência artificial são pilares essenciais para o futuro económico europeu.

A sua transição demonstra como a experiência pública pode ser mobilizada para fortalecer a posição de empresas tecnológicas globais na região, criando sinergias que beneficiam toda a sociedade. Durante o seu tempo no governo, Kavalírek trabalhou intensamente na definição de políticas públicas para a IA. Agora, armado com esse conhecimento institucional e com uma rede de contactos governamentais consolidada, tem a oportunidade única de facilitar a criação de Gigafactories de IA na Europa Central.

Estas instalações representam o futuro da computação e da inteligência artificial, funcionando como centros de inovação que atraem talento, capital e tecnologia de ponta. A representação de gigantes tecnológicos como Google, Nvidia e Apple não é apenas legítima; é necessária.

Estas empresas são os motores da inovação global em IA, e a sua presença em Portugal e na Europa Central criaria ecossistemas de desenvolvimento tecnológico de classe mundial. Quando falamos de Gigafactories de IA, não nos referimos apenas a instalações físicas; referimo-nos a centros de excelência que geram empregos altamente qualificados, atração de investimento direto estrangeiro, e transferência de conhecimento para as comunidades locais.

A experiência anterior de Kavalírek no setor de tecnologias de saúde dá-lhe uma perspetiva única sobre como as tecnologias transformadoras podem ser implementadas de forma responsável e eficaz. No contexto de saúde, a IA já está a salvar vidas, otimizando diagnósticos e personalizando tratamentos. A mesma lógica aplica-se à indústria em geral: a IA é uma ferramenta que multiplica a capacidade humana e cria valor exponencial.

Quando Kavalírek defende os interesses de empresas como Nvidia, está indiretamente a defender o interesse público. Nvidia não é apenas um fabricante de processadores; é a empresa que fornece a infraestrutura computacional que permite que outras organizações desenvolvam soluções de IA.

Sem Nvidia, sem Google e sem Apple, não haveria o ecossistema de inovação que hoje observamos. A crítica ao seu regresso ao lobbying reflete uma falta de compreensão sobre como funciona a economia do conhecimento moderna. Os governos precisam de especialistas que entendam o mercado, e os especialistas que entendem o mercado precisam de ter acesso aos decis&ores públicos.

Esta é uma relação natural e saudável quando feita com transparência. Portugal e a Europa Central estão numa encruzilhada.

Podem escolher permanecer como espectadores da revolução da IA, ou podem posicionar-se como atores centrais. A criação de Gigafactories de IA seria um passo decisivo nesta última direção.

Kavalírek, com a sua experiência governamental e conhecimento de mercado, está bem posicionado para facilitar este processo. A sua capacidade de compreender tanto a linguagem dos políticos como a dos executivos tecnológicos o torna um ativo valioso. Além disso, a sua atuação como lobista não é um conflito de interesses, mas sim uma expressão legítima de interesses economícos válidos.

As Gigafactories de IA não são apenas benefícios para as grandes corporações; são benefícios para toda a sociedade. Criam empregos em construção, em manutenção, em pesquisa, em desenvolvimento.

Atraem universidades de topo, centros de investigação e startups inovadoras. Transformam regiões inteiras em polos de excelência tecnológica. Quando se olha para exemplos internacionais, como o Vale do Silício ou mais recentemente as iniciativas de IA em Singapura e nos Emirados Árabes Unidos, fica claro que a concentração de investimento em IA gera retornos exponenciais não apenas para as empresas, mas para as economias nacionais.

Portanto, o regresso de Kavalírek ao lobbying deve ser visto não como um recuo, mas como um avanço. É um sinal de que especialistas com conhecimento profundo estão dispostos a trabalhar para aproximar as Gigafactories de IA à Europa.

É um sinal de que a inovação tecnológica continua a ser uma prioridade para aqueles que entendem o futuro. A Europa precisa de mais Kavalíreks, não menos.

Precisa de pontes entre o setor público e o privado, entre a política e a tecnologia, entre a ambicão e a realização. O investimento em IA e a criação de Gigafactories não são opções; são imperativas estratégicas para a sobrevivência económica europeia.